Soninh@ Poesias - Poesias - "Da Leveza de Um Sorriso"









DA LEVEZA DE UM SORRISO
Lizete Abrahão


Quando sob dias brancos e onde nada aflora
O tédio nascido do esmo que ali vigora
Transforma em granito as faces e o olhar liso
Esculpe em esfinge um rosto conciso
Esquecido dos traços que lhe dão aurora

Quando jaz no mito o corpo de outrora
A dormir no deserto seu sono de medos
Arrastando cemitérios em caixas de segredos
Mais mortos do que aqueles dispersos
Sob as lápides de túmulos diversos

Sós, respiram odores de frascos abertos
Sem memória ignoram os jardins despertos
Colam na boca o ricto de pretensa imortalidade
E nos olhos, apenas a marca da incuriosidade
Mas arquitetando fantasias nas pupilas
Mora a vida !

O fascínio da doçura que paira sobre a lida
Da leveza do entreabrir a boca, do se expor
Nasce a beleza da planura toda em flor

Nada se iguala à extensão de um sorriso
Tem o efeito de pousar nos lábios, brilho e viço

Do sol rubro e terno, mesmo se ele não existe
Além de dourar a alma de um rosto triste
Pois este suave efeito do homem a sorrir
Deposita em sua fronte uma estrela a luzir

Como seria bela a noite com tanta luz
Os astros a brilharem com seus corpos nus
Eu escutaria os risos enormes do universo
Brotando aos milhares, em cada verso




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