
DA LEVEZA DE UM SORRISO Lizete Abrahão
Quando sob dias brancos e onde nada aflora O tédio nascido do esmo que ali vigora Transforma em granito as faces e o olhar liso Esculpe em esfinge um rosto conciso Esquecido dos traços que lhe dão aurora
Quando jaz no mito o corpo de outrora A dormir no deserto seu sono de medos Arrastando cemitérios em caixas de segredos Mais mortos do que aqueles dispersos Sob as lápides de túmulos diversos
Sós, respiram odores de frascos abertos Sem memória ignoram os jardins despertos Colam na boca o ricto de pretensa imortalidade E nos olhos, apenas a marca da incuriosidade Mas arquitetando fantasias nas pupilas Mora a vida !
O fascínio da doçura que paira sobre a lida Da leveza do entreabrir a boca, do se expor Nasce a beleza da planura toda em flor
Nada se iguala à extensão de um sorriso Tem o efeito de pousar nos lábios, brilho e viço
Do sol rubro e terno, mesmo se ele não existe Além de dourar a alma de um rosto triste Pois este suave efeito do homem a sorrir Deposita em sua fronte uma estrela a luzir
Como seria bela a noite com tanta luz Os astros a brilharem com seus corpos nus Eu escutaria os risos enormes do universo Brotando aos milhares, em cada verso
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