Um Grito Ecoa ! Sonia Regina Cancine Maio de 2003
Um grito ecoa na escuridão de repente, vindo do nada e nada diz ! Surgem lembranças e imagens adormecidas renascem das cinzas do passado, ressurgindo emoções. Emoções que fluem e dizem tudo o que o grito não traduz !
Assim... em uma noite fria de inverno, Thaty acorda sobressaltada e suando frio. De olhos esbugalhados fitando o vazio e a respiração acelerada, rapidamente acende o abajur ao lado de sua cama. As luzes ofuscam seus olhos e ela tenta recuperar o equilíbrio. No íntimo ela sabe o que a incomoda. No entanto, ela não quer lembrar-se dos momentos felizes e tristes, que deixara para trás. Fecha os olhos por um instante... buscando sua paz, mas a tristeza havia tomado conta de seu coração neste momento.
Com um leve sorriso na face lembra-se de sua infância, na qual fora muito feliz e sonhara com uma vida de princesa, onde seu príncipe encantado era lindo e gentil, maravilhoso ! As lembranças de sua infância aos poucos vão tomando conta e forma em seus pensamentos.
" Quando era menina, em dias ensolarados Thaty saltitava sorridente, despreocupada e feliz pelas ruas das cidadezinhas por onde morava. Sua vida era cor-de-rosa, o sol brilhava e se escondia por detrás das colinas. E ela sempre perguntava: - Tem algo além da linha do horizonte?
Sua mãe uma simples dona de casa, acompanhava as curiosidades ingênuas daquela menina que, ainda com seus olhos puros e inocentes, somente em Deus a tudo via. A menina de olhinhos esbugalhados e negros, cabelos de menino, pois assim a sua mãe o mantinha, em tudo dividia com sua irmã mais velha, Marlene. Todas as manhãs ao acordarem, tomavam seu lanche com pães e café quentinho. Depois saiam em retirada com estripulias, que levavam os seus pais à loucura.
Seu pai um homem perfumado e alinhado, saía cedinho para trabalhar. Para desconsolo das meninas, ele estava sempre bem perto dali, pois o local de seu trabalho era no prédio onde moravam. Para felicidade dos pais, havia residências para os bancários, nas cidadezinhas por onde passavam. De sua mesa de trabalho o pai podia vigiar os passos das meninas, quando estas iam brincar com seus amigos, na pracinha em frente ao prédio. Ali tinha um parquinho com balanços, gangorras e outros brinquedos.
As meninas sempre aprontavam ! Quando não estavam brincando nos balanços, estavam balançando nas árvores do terreno vazio ao lado, de Tarzan, pula- pula (brincadeira de quem pulava do lugar mais alto das árvores) e até construíam casinhas. Somente davam uma trégua, quando alguém se machucava com os pregos e estepes jogados por ali. Isso quando não inventavam de escalar e saltitar, pelos muros dos prédios e de suas marquises, que tinha nas redondezas.
Assim os anos foram se passando e as meninas crescendo em meio as brincadeiras e aos estudos, fazendo amigos e deixando saudades pelos lugares onde viviam ".
Distraída em seus pensamentos Thaty não percebe o tempo passar, como se estivesse em transe, parada no tempo. E mais uma vez recorda-se do que sua mãe dizia:
- Minha filha, brinque bastante, sinta o sol, as estrelas, a lua, a chuva, viva a vida e seja feliz !
- Pois hoje você está com dez anos, amanhã terá vinte, logo mais quarenta e quando menos perceber, estará com sessenta anos.
- Aí neste momento dirá :
- Meu Deus ! Minha vida se passou e eu nem percebi !
- Viva a vida como se ela fosse terminar hoje !
" Sonhos a buscar, em seu dom de brincar Feito menina a sonhar Tantos diálogos lindos a encontrar !
Somente uma mulher a se revelar Em frases fragmentadas Nas entrelinhas a interpretar !
Anjo precioso De tão justo e bondoso Nos passe uma luz
Uma voz soa e ecoa aos ouvidos Vozes acalentam um determinado momento Espero que não as jogue ao vento ! "
* Esta é uma obra fictícia e qualquer semelhança, é mera coincidência!
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